Santta: artista da zona norte que criou um universo próprio
Tem gente que entra na música e tem gente que a música escolhe e não larga mais… Santta é do segundo tipo.
Isabella Alves cresceu na zona norte de São Paulo rodeada de gêneros musicais disputando espaço dentro de casa, mas o que ficou gravado mesmo foi a imagem dos irmãos vestindo Ed Hardy e colocando pra tocar as relíquias do funk paulista. Ali já estava tudo: a estética, a atitude, a identidade que ela ainda levaria anos para transformar em arte.

De poesia ao trap
Antes de existir como artista musical, Santta existia como voz, ela começou declamando poesias de literatura marginal, e foi nessas competições que conheceu pessoas que faziam música de verdade.
Sua estreia na música foi no trap e fez sentido por um tempo, mas em 2024, em meio a um período difícil pessoalmente, ela sentiu que o gênero já não dava conta do que ela queria dizer. Um amigo trouxe de volta sons que ela ouvia na adolescência, e foi aí que o clique aconteceu: fazer algo com aquela energia, mas com brasilidade, com a sua cara.
O resultado é um som que mistura hyperpop, EDM e funk numa combinação que soa como ela e só ela, alternativa, brasileira, independente.
"Blow"
O lançamento mais recente de Santta, "Blow" (25 de junho de 2026), entrega tudo que ela representa em forma de música.
A faixa chega como seu primeiro feat com a artista Eva, demonstrando atitude de quem já sabe o que quer e sabe que vai conseguir. É o tipo de música que mistura a frieza do trap com uma aura de rock star, construindo uma narrativa de poder e autoconfiança que está no centro de tudo que Santta faz.
Moda e identidade
Santta não é só música, quem acompanha sabe que a relação dela com a moda é visceral, não como acessório, mas como extensão da sua identidade artística. Ela é alternativa num sentido que vai além do estilo musical: é uma forma de estar no mundo, de se posicionar, de aparecer.
Essa autenticidade tem raiz, ela pensa diferente num mercado que frequentemente pede que artistas se encaixem em caixinhas, Santta constrói a própria caixinha e deixa bem claro que ela é grande o suficiente só pra ela.
O marco pessoal dela como artista foi "Kesha" uma faixa onde ela provou pra si mesma que suas ideias valiam, que a originalidade era o caminho certo e que não precisava caber em nenhum molde.
O que vem por aí
O próximo capítulo vem como EP, será construído em torno de uma personagem que coloca dinheiro, metas, diversão e ambição acima de qualquer relacionamento. Ela atrai, mas não corre atrás, pode sentir desejo, pode até sentir mais do que isso, mas nunca perde o controle da própria vida por causa de alguém.
Luxo, festas, vida noturna, poder de atração e desapego amoroso dividem espaço com algo mais sutil: os momentos em que a armadura deixa escapar que tem alguém de verdade por trás dela. É aí que o projeto fica interessante, é sobre escolher ser inabalável mesmo quando dói um pouco.
Sonoramente, o EP cruza hyperpop, EDM e funk numa mistura que já aparece em "Blow" antecipando o que está por vir.
De artista para artista
Quando perguntada o que diria para quem está começando, Santta diz:
"Seja original, confie na sua ideia e tente alinhar o máximo que conseguir. Mas não se cobre tanto, faça isso por amor, e isso vai suprir qualquer outra dúvida que você tenha em mente."
Simples assim, e difícil assim. Santta está construindo algo real, uma narrativa de origem genuína e estética autoral. Fique de olho e ouça "Blow" antes que todo mundo já saiba quem ela é.








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